Os azulejos portugueses: história, onde vê-los em Lisboa, Porto e no resto do país, como não comprar azulejos roubados e como cuidar dos azulejos de uma fachada

TUREFF• •0
Os azulejos estão por todo o lado em Portugal: nas fachadas dos prédios de Lisboa, nas estações de comboio, nas igrejas, nos palácios e nos bancos de jardim. Mais do que decoração, contam a história do país. Este guia ajuda a conhecê-los melhor, a encontrá-los e a protegê-los. Um pouco de história A palavra azulejo vem do árabe e o uso de ladrilhos cerâmicos chegou à Península Ibérica através da influência islâmica. No século XVI, Portugal começou a produzir os seus próprios azulejos, e ao longo dos séculos seguintes desenvolveu uma tradição única. Nos séculos XVII e XVIII ganharam fama os grandes painéis azuis e brancos, com cenas religiosas, de caça, batalhas e paisagens, que revestem igrejas e palácios. Depois do terramoto de 1755, a reconstrução de Lisboa fez crescer a produção de azulejos de padrão, mais baratos e repetitivos. No século XIX, muitos emigrantes que regressaram do Brasil trouxeram o gosto de revestir as fachadas inteiras de azulejo, o que mudou o aspeto de muitas cidades. No século XX, artistas modernos continuaram a tradição, por exemplo nas estações do Metropolitano de Lisboa. Onde ver azulejos Lisboa: o Museu Nacional do Azulejo, instalado no antigo Convento da Madre de Deus, é a visita obrigatória. Nas ruas de Alfama, Graça, Campo de Ourique e de muitos outros bairros encontram-se fachadas de todas as épocas. Várias estações do metro são verdadeiras galerias de arte. Porto: a estação de São Bento, com painéis de Jorge Colaço que contam episódios da história de Portugal, e as fachadas da Capela das Almas e da Igreja de Santo Ildefonso. No resto do país: igrejas, solares e estações de comboio, de norte a sul, guardam painéis notáveis. Muitas vezes, a pequena igreja de uma aldeia tem azulejos surpreendentes. Repare também nos números de porta, nos nomes de ruas e nos painéis de santos sobre as entradas das casas. Não compre azulejos roubados O furto de azulejos de fachadas, igrejas e edifícios abandonados é um problema grave em Portugal. Muitas peças acabam vendidas em feiras e na internet. Desconfie de azulejos antigos vendidos sem origem conhecida, sobretudo em grandes quantidades ou com restos de argamassa. Compre azulejos antigos apenas em antiquários e vendedores que possam documentar a proveniência. O projeto SOS Azulejo, ligado à Polícia Judiciária e a várias entidades, tem trabalhado na prevenção do furto e na recuperação de peças. Se suspeitar de uma venda ilegal, pode denunciar às autoridades. Para levar uma recordação, prefira azulejos novos, feitos à mão por oficinas e artistas contemporâneos, ou réplicas assumidas. Cuidar dos azulejos de uma fachada Se tem uma casa com fachada de azulejo, informe-se junto da câmara municipal antes de fazer obras. Em Lisboa, por exemplo, há regras que restringem a demolição e a remoção de fachadas azulejadas. Não retire os azulejos soltos sem os guardar: numere-os e guarde-os para que possam ser recolocados. Limpe com água e uma escova macia. Evite ácidos, lixívia e jatos de alta pressão, que podem danificar o vidrado e as juntas. Para restaurar, recorra a técnicos especializados em conservação de cerâmica. Uma intervenção mal feita pode causar mais estragos. Pintar azulejos Várias oficinas e fábricas tradicionais oferecem ateliês onde se pode pintar o próprio azulejo, com as técnicas e os pigmentos usados há séculos. É uma ótima atividade para fazer com crianças e uma recordação única.

Comments (0)