Como montar a árvore genealógica da família no Brasil: conversar com os mais velhos, certidões de cartório, registros de batismo e cidadania europeia
TUREFF• •0
No Brasil, muita gente começa a pesquisar a família por curiosidade, para entender de onde vieram os bisavós, e muita gente começa por um motivo prático: o pedido de cidadania italiana, portuguesa, espanhola ou alemã. Em ambos os casos, o caminho é o mesmo: partir do que se sabe e documentar cada geração. Este guia mostra por onde começar.
Comece por você
Anote seus dados, os dos seus pais e dos seus avós: nome completo, data e local de nascimento, casamento e óbito.
Faça um esquema simples em papel ou planilha, mostrando quem é filho de quem.
Marque o que é certeza e o que é só "ouvi dizer".
Converse com os mais velhos, quanto antes melhor
Avós, tios-avós e primos mais velhos são a fonte mais preciosa. A cada ano que passa, histórias se perdem.
Pergunte pelos nomes completos, apelidos, cidade de origem, profissão, mudanças de cidade, irmãos dos avós e filhos que morreram pequenos.
Pergunte se alguém veio de outro país, por qual porto chegou e em que época, e para qual fazenda ou colônia foi.
Grave a conversa, com permissão, e anote a data.
Leve fotos antigas e peça que digam quem aparece nelas. Escreva os nomes no verso.
As certidões de cartório
Nascimentos, casamentos e óbitos são registrados nos cartórios de registro civil. Para pedir uma certidão, você precisa saber em qual cartório foi feito o registro, ou pelo menos a cidade.
Hoje é possível pedir certidões de muitos cartórios pela internet, pelos serviços oficiais do registro civil.
Para cidadania e pesquisa, a certidão em inteiro teor é a mais útil: ela transcreve todo o registro, com os nomes dos pais, avós, testemunhas e anotações posteriores.
Os registros de casamento costumam ser os mais ricos: trazem idade, naturalidade, profissão e filiação dos noivos.
Antes do registro civil: a Igreja
O registro civil se tornou obrigatório no Brasil no fim do século XIX. Para períodos anteriores, ou quando o registro civil não existe, a principal fonte são os livros de batismo, casamento e óbito das paróquias.
Esses livros ficam nas paróquias ou nos arquivos das dioceses e arquidioceses.
Muitos livros paroquiais e de registro civil foram microfilmados e digitalizados, e podem ser consultados gratuitamente em grandes acervos genealógicos on-line.
A letra antiga e as abreviações exigem prática. Grupos de genealogia nas redes sociais costumam ajudar a ler documentos difíceis.
Imigrantes
Listas de passageiros de navios, registros de hospedarias de imigrantes e documentos de naturalização ajudam a descobrir de onde a família veio.
Arquivos públicos estaduais, como o de São Paulo, guardam muitos registros de imigração. Vale procurar no arquivo do estado onde a família chegou.
Com a cidade de origem em mãos, é possível pedir a certidão de nascimento ou batismo do antepassado no país de origem.
Cidadania europeia: cuidado
As regras de cada país mudam com o tempo. A Itália, por exemplo, restringiu em 2025 a transmissão da cidadania por descendência. Antes de gastar com documentos e traduções, consulte o site oficial do consulado ou da embaixada do país.
Desconfie de empresas que prometem resultado garantido.
Erros de grafia no nome, muito comuns em documentos de imigrantes, podem exigir retificação. Confira se os nomes batem em todas as certidões.
Organize e preserve
Use um programa ou site de árvore genealógica, ou uma planilha. Anote a fonte de cada informação: qual certidão, qual livro, quem contou.
Digitalize documentos e fotos e guarde em pelo menos dois lugares.
Não copie árvores prontas da internet sem conferir as fontes. Um erro se espalha rápido.
E registre as histórias, não só as datas: é isso que os netos vão querer ler.