Aprender piano depois de adulto: teclado ou piano digital, aula ou aplicativo, cifra ou partitura e como praticar 20 minutos por dia
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Muita gente queria ter feito aula de piano na infância e nunca fez, ou fez por alguns anos e parou. A boa notícia é que dá para começar em qualquer idade. O adulto aprende os movimentos dos dedos mais devagar que uma criança, mas entende teoria mais rápido e costuma ser mais disciplinado. Este guia mostra um caminho realista.
Teclado, piano digital ou piano acústico
Teclado: barato, leve, com muitos timbres e ritmos. A desvantagem são as teclas leves, sem peso, e muitas vezes só 61 teclas. Serve para experimentar, mas logo fica limitado.
Piano digital: 88 teclas com peso (ação de martelo), que imitam a sensação de um piano de verdade. É a melhor escolha para a maioria dos adultos: dá para usar fone de ouvido e estudar à noite sem incomodar os vizinhos do prédio, e não precisa de afinação.
Piano acústico: o som e o toque mais vivos, mas é caro, pesado, ocupa espaço e precisa ser afinado com regularidade. Em regiões úmidas, também exige cuidado com mofo e umidade.
Com orçamento curto, um piano digital usado de marca conhecida costuma ser melhor negócio do que um teclado novo.
Aula, aplicativo ou os dois
Um professor corrige a postura e a posição das mãos desde o início, o que evita vícios difíceis de corrigir depois. Escolas de música, conservatórios e professores particulares aceitam alunos adultos; pergunte também por projetos de extensão em universidades e escolas de música públicas da sua cidade.
Aplicativos e vídeos funcionam bem para tocar músicas com acordes e manter a motivação. Mesmo assim, algumas aulas com professor de vez em quando ajudam a conferir a técnica.
Cifra ou partitura
No Brasil, muita gente aprende pela cifra: as letras dos acordes em cima da letra da música. É ótima para tocar MPB, sertanejo, louvor e pop rapidamente, acompanhando o canto.
A partitura mostra cada nota e o ritmo exato. É mais lenta de aprender, mas abre todo o repertório de piano, do clássico ao jazz.
O ideal é aprender as duas aos poucos: os acordes para tocar logo, a partitura para crescer.
Postura e mãos
Sente-se no centro do piano, na altura do dó central. Ajuste o banco para que o antebraço fique mais ou menos paralelo às teclas.
Dedos curvados, como se segurassem uma bola pequena, punho relaxado.
Os dedos são numerados: polegar 1, indicador 2, médio 3, anelar 4 e mínimo 5. Esses números aparecem nos livros de exercícios.
O primeiro mês
Conheça o teclado: os grupos de duas e de três teclas pretas ajudam a achar as notas. O dó fica sempre logo à esquerda do grupo de duas teclas pretas.
Toque a escala de dó maior com a mão direita, depois com a esquerda, devagar.
Aprenda os acordes de dó, fá, sol e lá menor (C, F, G e Am na cifra). Com eles você já acompanha muitas músicas.
Comece a ler partitura aos poucos, com melodias simples na clave de sol.
Como praticar
Vinte minutos todo dia valem mais do que duas horas no fim de semana.
Separe os trechos difíceis e pratique devagar, depois junte com o resto.
Use metrônomo: comece lento e aumente aos poucos.
Estude mão direita e mão esquerda separadas antes de juntar.
Grave-se de vez em quando. Ouvir a gravação mostra o progresso e os erros.
Para não desistir
Escolha músicas de que você gosta de verdade, em versões simplificadas.
Não se compare com quem estuda desde os cinco anos.
Se a mão ou o punho doer, pare e descanse. Tocar tenso o tempo todo pode causar lesões.
Toque para a família ou para os amigos, por menor que seja a música. É isso que dá sentido ao estudo.