Samba para quem quer entender e participar: a história, os estilos, a roda de samba, a escola de samba e o passo básico do samba no pé
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O samba é muito mais do que a trilha sonora do Carnaval: é uma das expressões mais importantes da cultura brasileira, nascida das tradições afro-brasileiras e reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil. Ele está nas rodas de fim de semana, nos botecos, nas quadras das escolas e nas rádios. Este guia ajuda a entender o samba e a chegar mais perto dele.
Um pouco de história
O samba tem raízes nos ritmos trazidos por africanos escravizados e nas festas das comunidades negras, especialmente na Bahia e no Rio de Janeiro.
No início do século XX, na Pequena África, região próxima ao porto do Rio, casas como a de Tia Ciata reuniam músicos e festeiros. "Pelo Telefone", de 1916, é considerado o primeiro samba gravado.
Nas décadas seguintes surgiram as primeiras escolas de samba, como a Deixa Falar, no Estácio, e o samba ganhou o rádio e o país.
O samba de roda do Recôncavo Baiano foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Alguns estilos
Samba de roda: forma tradicional da Bahia, com palmas, viola, pandeiro e dança em roda.
Samba-enredo: o samba que cada escola compõe para contar o enredo do seu desfile.
Partido-alto: com refrão coletivo e versos improvisados.
Samba-canção: mais lento e romântico.
Pagode: nascido nas rodas de fundo de quintal nos anos 1970 e 1980, depois deu origem a um estilo de grande sucesso popular.
Bossa nova: surgiu do samba no fim dos anos 1950, com harmonias sofisticadas e uma batida própria de violão.
A roda de samba
Na roda, os músicos sentam em volta de uma mesa, e o público fica em pé ao redor, cantando junto.
Os instrumentos mais comuns são o pandeiro, o cavaquinho, o violão de sete cordas, o surdo, o tantã, o repique de mão, o tamborim e o agogô.
É comum o público conhecer as letras dos clássicos. Se não conhece, bata palma no ritmo e cante o refrão.
Muitas rodas acontecem em praças e bares, algumas de graça. No Rio, há rodas tradicionais em bairros como a Pedra do Sal, na Zona Portuária, e na Lapa, entre muitas outras. Em São Paulo e em outras cidades, as rodas também são parte importante da vida cultural.
A escola de samba
Uma escola de samba desfila com bateria, alas, carros alegóricos, porta-bandeira e mestre-sala, comissão de frente e passistas.
Antes do Carnaval, as escolas fazem ensaios nas quadras, abertos ao público, com ingresso barato ou gratuito. É a melhor forma de sentir a energia de uma bateria de perto.
É possível desfilar comprando uma fantasia de uma ala. Informe-se diretamente com a escola, com antecedência, sobre preços e ensaios obrigatórios.
Muitas escolas têm projetos sociais e oficinas de percussão para a comunidade.
O passo básico: samba no pé
O passo básico tem três apoios em dois tempos: direita, esquerda, direita; depois esquerda, direita, esquerda, num movimento rápido e alternado.
O peso fica sobre a parte da frente dos pés, os joelhos levemente flexionados, e os quadris acompanham o movimento.
Comece devagar, sem música, e vá acelerando aos poucos. Depois tente no ritmo de um samba mais lento.
Os braços acompanham soltos, com leveza. O sorriso faz parte!
Aulas em escolas de dança, academias e nas próprias escolas de samba ajudam muito.
Para ouvir
Comece pelos clássicos de compositores como Cartola, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola, e pelas vozes de Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione e Zeca Pagodinho.
Os sambas-enredo históricos das escolas também são uma ótima porta de entrada.
Depois, explore os sambistas da nova geração: o samba continua se renovando.
Respeito à tradição
O samba nasceu da resistência e da criatividade do povo negro, que por muito tempo foi perseguido por cantar e dançar. Conhecer essa história faz parte de aproveitar o samba.